O fim trágico da comunidade virtual de músicas

Março 20, 2009

 

Deu na Folha On Line que quase 1 milhão de internautas amanheceram nesta segunda-feira com uma comunidade a menos no seu Orkut. Após meses de queda de braço com representantes das gravadoras, a comunidade “Discografias” anunciou, no domingo à noite, seu fim.

 

 

A moderação que não se identifica deixou a seguinte nota no perfil da comunidade “Informamos a todos os membros da comunidade ‘Discografias’ que encerramos as atividades devido às ameaças que estamos sofrendo da APCM [Associação Antipirataria Cinema e Música] e outros orgãos de defesa dos direitos autorais”. A nota não informa que tipo de ameaça estaria sendo feita contra eles.

 

 

A indústria fonográfica persiste no erro, mesmo que exista uma tecnologia para bloquear o acesso ao MP3, ela se desenvolverá concomitante ao desenvolvimento da internet, estamos na era da web 2.0 e já falamos em 3.0. A tecnologia cibernética voa enquanto a indústria fonográfica rasteja. Há quase um ano atrás entrevistei, Peter Kauffmann, o cara que trouxe o CD para o Brasil explicou porque esse disquinho digital já era, segue um trecho da entrevista:

 

 

“Tudo começou com um artigo errado. Viajava muito. Era gerente geral da América Latina de um grupo chamado Teka. Lá eu vi que o CD, que custava US$ 11 ia custar US$ 4. Pensei: vou entrar nessa, vou juntar com minha experiência de exportador, o Collor vinha no horizonte, mais ou menos, anunciando que a exportação ia abrir. Resolvi importar CDs.

 

A informação de que a nova mídia ia baixar para US$ 4 nunca aconteceu. E, na minha modesta opinião, foi isso que matou o CD, porque, quando a Philips, junto com a Sony, desenvolveram o suporte, havia um número x de cópias vendidas para depreciar a invenção do CD. Quando isso foi atingido, eles não baixaram o preço. Preferiram investir mais em marketing.”

 

Comentários na RCD sobre o fim da Discografia:

 

“Poxa, ao invés de usar a inteligência para se adaptar à nossa realidade tecnológica, estão usando a força (e de um poder mesquinho) para voltar em um passado de milhões de discos vendidos. E será que a ganância deles nutre tanta esperança assim? Será que eles não têm ninguém de confiança para dizer que eles não vão conseguir acabar com a pirataria fechando uma comunidade do Orkut?” [Thiago]

 

“De qualquer maneira, é um ataque bastante simbólico e emblemático. Serve para alertar. O Orkut é uma ramificação do Google, primeiro se derruba um pequeno, depois pode chegar num grande… infelizmente acho que de graça AçA(!!!_ enfatizando!!!) não vai durar por muito tempo. Acho que em questão de anos darão um jeito de cortar nossas asinhas de modo que aceitaremos de bom grado pagar.” [Daniel]

 

 “Sim é uma coisa que não tem jeito..não tem volta é ridículo tentar tirar isso tudo. Por outro lado, tem um papinho que as vezes me irrita : ah o mp3 serve para divulgar a banda.Sim isso não tenho duvidas, mas vocês tem ideia de quantas copias o disco do Foals vendeu aqui? Não vende nada ! [Bruno]

 

 “Se as gravadoras lançassem os CD’s com preços de acordo com a realidade da economia brasileira, talvez as pessoas comprassem mais. Tem que gostar muito da banda pra comprar o disco físico dela não é legal pagar 30 reais num CD The Killers, mesmo eu amando a banda.” [Caseh]

 

“Não vai ser com ameaças que vão acabar com o livre compartilhamento de dados, principalmente porque existem muitas pessoas dispostas a repassar álbuns, vídeos e afins em pequenos sites difíceis de ser rastreados. Isso é só mais uma medida paliativa e sem resultados que mostra o tamanho do desespero que os barões da ‘indústria do entretenimento’ estão enfrentando. É o fim da mercantilização da arte.” [Léo]


De outros idos (parte 2)

Março 16, 2009

CARTA DE PEDIDO

Querida amante que tive nos meus momentos de distúrbio mental, com sua selvageria e egoísmo sentimental percebi que me tornou um escravo de seu sexo, não pelo próprio, mas pela minha fraqueza perante ao momento em que eu passava quando te conheci. Não vir parar criticar algo que também usei.

Lembro que ao te conhecer eu tinha como característica a inocência, hoje, tenho a melancolia, conseguistes roubar minha alma, dominastes meus sentimentos e os fizera de fonte para alimentar seu ego. Gostaria de pedir minha inocência de volta, mas agora percebo que serviria apenas para apanhar novamente da vida, baseado nisso, peço de volta meu pobre espírito para que eu possa prosseguir com minhas aventuras e passar por novas experiências, não é justo eu ficar preso há você por algo que eu mal conheço.

Deve se perguntar como me devolver algo que nem sabe que me roubou, muito menos imagina sobre o que estou falando. Mas inconscientemente sabe. Só quero que devolva minhas energias como também minhas tensões, devolva meu suor, como também meus fracassos, meus desejos e minhas realizações, fique nua como ficavas, devolva minhas chupadas e meus beijos calorosos, pode ficar com os insultos, eu sei o quanto gostava.


De outros idos

Março 16, 2009

FOME E SEDE DE VINGANÇA

Peguei mais um daquele cigarro de quinta categoria, dei um gole naquela vodca com limão, acendi o cigarro, coloquei o copo de volta no criado mudo, estiquei o braço para debaixo da cama, peguei o meu caderno, minha caneta inspiradora, e comecei a escrever o que vinha na cabeça, mas já sabia quem era o destinatário. No topo da folha coloquei a data e a hora, pra variar já era madrugada. Insônia, maldita insônia.

Com o cigarro no canto da boca, fazia aquela face pensativa e começava a deslizar a caneta sobre o papel, procurando formular frases que transmitia exageradamente o que eu sentia. Em cada parágrafo eu purificava um pouco a alma, em cada palavra eu buscava um pouco a melancolia.

Ao amassar aquelas folhas errôneas, escorria sangue. Jurava com fervor naquele montante de adjetivos que ela era a única e verdadeira. Mas nada o que eu escrevia era bom o suficiente para comover aquele coração frio que amargamente me deixou enxugando os prantos em uma noite gelada no cenário gótico de nosso ninho de um “suposto” amor.

Então, eu buscava inspiração em mitos, porém, ficava mais depressivo ainda, por saber que tudo estava tão distante, como o mito estava, como suas palavras, suas canções e seus poemas também estavam, os mitos estragaram minha vida, agora tudo que faço soa piegas. Tento descobrir minha identidade, mas ela se perdeu em uma alma que se foi, hoje vago como um espírito sem luz pelos becos da solidão.

E essas folhas continuam vazias, apenas frases que não condizem com que eu sinto verdadeiramente e muito menos sensibiliza a pessoa que levou minha personalidade e me deixou alienado aos meus próprios sentimentos. Agora me pergunto como amarei novamente? Por isso escrevo…


Um feriado Kent

Maio 5, 2008

Na quarta-feira eu já estava com as malas prontas para visitar a família no interior, dessa vez o feriado prolongado proporcionou quatro belos dias chuvosos. Mariana foi comigo conhecer minha estranha família e amigos de infância. Durante a viagem discutíamos qual seria a banda do nosso namoro. Logo de cara ela sugeriu os suecos do Kent, afinal, foi a primeira coletânea que preparei especialmente pra ela. Não gostei muito da idéia, adoraria que fosse a trilha Sonora de “High Fidelity”, motivo de nós nos conhecermos. Mas não questionei, seu desejo estava estabelecido sem hesitação da minha parte.

Lembro-me do processo de gravação da coletânea há oito meses atrás, eu já estava apaixonado e aquele interesse por música da Mariana me deixava extremamente excitado. Sabe aquele anseio de mostrar bandas novas, gravar inúmeras coletâneas e fazer sexo ao som de Portishead? Pois é, era mais ou menos isso. Eu decidi gravar a coletânea do Kent após ela pedir pra escutar o que estava rolando nos meus “headphones”, num dia qualquer de aula na facul. Foi paixão a primeira vista, não por mim, mas pela banda. O álbum era “Du & Doden” de 2005 e estava no último volume. Ela colocou os fones e abriu um sorriso lindo ao ouvir os primeiros acordes de 400 slag, nos primeiros trinta segundos de música conseguiu pronunciar apenas uma frase – grava pra mim? – Lógico! Agarrei a proposta, afinal, era o começo de uma relação que nem imaginava como seria.

Não existe uma boa música sem amor e nem amor sem música, logo no primeiro olhar notei a musicalidade na aura daquela garota e baseado naquela harmonia, fiquei encantado pelos ritmos daqueles longos cabelos dourados contra o vento ( que lindo!). Foram meses de luta para conquistá-la e nesse feriado pude sentir a base fixa de um relacionamento louco sustentado belas melodias do rock alternativo. Nesse momento estou preparando uma nova coletânea, essa é diferente de todas as outras, pois é a consolidação de uma progressão contínua.

A introdução de uma música é a porta para o mundo ao qual você deseja entrar, ou não, precisa ser convidativa, precisa ser excitante, estimulante para que esse mundo seja parte à realidade. A seqüência que segue após a entrada é composta por caminhos que devem lhe trazer o conforto instigante de um abraço bem forte provido de muita paixão. A coletânea do Kent tinha a função de ser a introdução dessa parceria repleta de ardor, amizade e música. As próximas coletâneas devem exercer a função de mantenedora constante desse relacionamento.

O feriado foi musicalmente esclarecedor, eu pude perceber quais gêneros ditam o ritmo do meu namoro e isso demonstrou que na primeira faixa, a banda sueca mais querida do meu coração, sem dúvida alguma, prevalece soberana com a canção “music non stop”. Enquanto eu vou revirando os arquivos, pesquisando letras e absolvendo outras melodias para a construção e estruturação dessa coletânea, vou pensando nessa garota e aceitando sugestões. Alguém sabe me dizer quando é o próximo feriado?


A História que não é da Bianca Story

Abril 30, 2008

Uma coisa é fato, a Virada Cultural foi muito boa, principalmente para mim, que após superar minhas idiotices, dei vazão a sentimentos mais nobres, tal como: O amor. Após àquelas 24h repletos de música injetado na veia eu pude parar para refletir. Como esse diário virtual sentimental não vive sem uma trilha sonora eu coloquei Hi Society do Bianca Story (o nome da banda não tem nenhuma relação com o que aconteceu comigo na virada). Eu ainda não tinha escutado essa banda. Ela veio da Suíça e lançou esse álbum no começo desse ano. Banda oriunda da Suíça?

Pois é, essa banda é mesmo da Suíça e está chutando o balde no cenário indie Europeu. Por falar em chutar balde, esse final de semana eu aproveitei para ver as chutadas de balde na Virada Cultural e me dei bem, alguns shows bons outros ruins, porém, um coração disparado em sincronia com os ritmos das diversas bandas que se apresentaram, com destaque para o Retrofoguetes da Bahia, que me animou bastante, isso sem falar do Overcomming Trio que me surpreendeu com apresentação do Hélio do Vanguart e da Mallú Magalhães. Eu estava bem acompanhado, a dona do meu coração que, por acaso, possui um gosto musical bem parecido com o meu, dividiu as mesmas sensações de um bom rock misturado com um desejo enlouquecido de um bom amasso.

Bianca Story possui influências de Franz Ferdinand, Strokes e o vocal da bela Anna Waibel lembra um pouquinho de PJ Harvey, se isso é bom? É claro. Anna divide os vocais com Elia Rediger, que nos trás uma profunda nostalgia oitentista em seus vocais, é nesse conceito que Paper Piano abre o disco. Não é preciso analisar muito o disco para chegar a conclusão que a banda é a boa nova das “new bands”. A faixa fire me se aproxima muito das harmonias e guitarras marcadas das banda de Julian Casablanca, os Strokes.

Mas eu estava falando da minha nova paixão, né não? Voltando, no sábado de tarde, estávamos nos preparando para o evento da virada, até que houve um pedido de namoro, não partiu de mim, partiu dela. Tudo bem que fiz um doce durante a semana, sabia que isso aconteceria, mas no sábado a vontade prevaleceu e o “sim” veio com um forte abraço após o banho. Isso mesmo, eu ainda estava de toalha. Give it Up for Life é minha música predileta desse álbum, mas self portrait mexeu comigo. De acordo com esse clima romântico.

Bom, vou aproveitar esse meu momento de felicidade, pois já dizia Voltaire que: Paixão é uma infinidade de ilusões que serve de analgésico para a alma. As paixões são como ventanias que enfurnam as velas dos navios, fazendo-os navegar; outras vezes podem fazê-los naufragar, mas se não fossem elas, não haveriam viagens nem aventuras nem novas descobertas. E que esse seja o início de uma nova história, quem sabe, sob a trilha sonora de Bianca Story.


Silversun Pickups e minha idiotice

Abril 21, 2008

“Quem ama, pensa que vai ser felicíssimo; e estranha qualquer espécie de sofrimento. Ora, a vida ensina, justamente, que duas criaturas que se amam, sofrem, fatalmente. Não por culpa de um ou de outro; mas em conseqüência do próprio sentimento. É exato que os amores têm seus êxtases deslumbrantes, momentos perfeitos, musicais etc. etc. mas eu disse “momentos” e não 24 horas de cada dia.”

O trecho de “Amar uma vez e sempre” de Nelson Rodrigues é o inicio desse post, talvez porque a raiva que sinto dele, seja a mesma raiva que sinto quando amo e não sou compreendido. Ser compreendido no amor, talvez seja mais importante que amar, pois ser amado quando amar implica falta de soberania da felicidade é aterrorizante.

Eu queria ouvir Smashing Pumpkins enquanto escrevia esse texto, mas o cansaço da mesmice, tal como, a mesmice do amor é irrefutável nesse momento. Eu sei o quanto esse texto pode parecer bizarro, complexo e um desabafo subliminar da minha fossa. Talvez você deva estar pensando que esse blog deveria chamar fossa, ao invés de Poolts, mas como não consigo escrever quando feliz, então vai isso mesmo.

Lembro de uma frase de Rob Gordon em Alta Fidelidade que diz assim: “Eu não sei se sou triste porque escuto música, ou escuto música porque sou triste”, e é basicamente assim que me sinto. Nesse momento estou dividindo minha dor com a banda norte americana Silversun Pickups, foi um refúgio do Smashing já que é tão parecido. Outras horas eu poderia estar destruindo essa banda, mas estou a seus pés. COMO ALGUÉM PODE FAZER ALGO ASSIM? Eu sei, eu sei, é parecido, mas tenho que admitir que é bom demais.

As pessoas costumam jogar na sua cara o quanto você é idiota e isso é freqüente quando você age como idiota. Não que agir como idiota seja um hábito, mas quem não faz isso quando gosta? Pois é, mas quando se percebe que está sendo esse mentecapto eis que chega a auto-destruição, aí toma vodca, cigarro e melancolia e ouve Silversun Pickups, meus Deus, isso é Smashing Pumpkins, repara nos overdubs das guitarras raivosas…

… Raiva, essa palavra é pujante, mas de quem sentir raiva? De quem não gosta de você? Nessa circunstância a raiva de você mesmo é a melhor saída. “cool like the ocean, burned like a summer home, fooled by the notion, that the sums don’t add up at all”, (Frio como o oceano, queimada como uma casa de verão, enganados pelas idéias, que as somas não adicionam nada). Essa canção é Three Seed e explica muito bem a tempestade que me encontro. Enquanto tento me desvencilhar da mesmice que é sofrer por amor, a mesmice fenomenal dessa banda me deixa pior do que já estou. Nesse caso, então, eu escuto música porque estou triste.

Enquanto a vodca e cigarro pairam nesse apartamento, a dor constante se mistura as melodias pegajosas de Melatonin, e olha que coincidência, “My brain doesn’t produce any, I’m soaring without anything” (Meu cérebro não está produzindo nada, estou levitando sem nada), é exatamente como me sinto e não me deixa sair desse estado-maior-de-grades melancólico, é uma canção que fala. E quando deveria ter raiva, eu entro em fascínio com tristeza.

Enquanto o lixo tóxico invade minhas entranhas eu continuo nessa conduta maléfica de me achar idiota, não porque eu seja um idiota, mas porque me fizeram achar. Existe uma saída racional para isso, mas essa saída racional vem depois da auto-afirmação.


Que culpa Courteeners tem?

Abril 14, 2008

Esse final de semana foi um momento de purificação psicológica, tinha decidido assistir os episódios 23, 24 e 25 da série Twin Peaks, comer uma lata de brigadeiro e ouvir o álbum do Courteeners, St. Jude. Não faria mais nada além desse retiro espiritual, se é que posso chamar assim. O policial Cooper, protagonista da série, em um dos episódios disse que devemos nos dar um presente por dia e decidi seguir esse conselho a risca.

Já tinha traçado um plano estratégico para minha hibernação, mas o destino confabula contra e logo nos três primeiro minutos sozinho, antes da série, antes do Courteeners e durante o brigadeiro, uma ligação inesperada deixou meu estimado final de semana mais melancólico. Isso atrapalhou de certa forma meus planos, a série de Mark Frost e David Lynch ficou para outro dia.

Quem ligou não vem ao caso, mas foi o suficiente para me afundar na nostalgia e na melancolia vexante. Mas isso não me impediria de ouvir a nova aposta vindo de Manchester, os Courteeners. Segundo as más línguas a banda inglesa são os novos messias de Manchester (bobagens da NME), a terrinha do Oasis e Smiths. Coloquei o volume no dez (alguém ainda fala assim?) e comecei uma arrumação na estante de casa. Nessa hora eu já tinha consumido quatro colheres de brigadeiro, já estava prevendo o revertério nas vísceras.

No meio daquela bagunça absurda, com o pensamento na “Franqueza Trash” das novas concepções amorosas da dona da ligação, eu me deparo com um antigo diário, pois é, um diário, sempre gostei de escrever, matusalém só não leu esse porque era secreto. Eis que a nostalgia aparece oscilando minha pulsação e despeita uma voadora giratória invertida de pé trocado na minha nuca. Um baque. Pronto, o ambiente está propicio ao suicídio (Credo Eder, que drama! By mãe). Só fui salvo por causa da mudança de faixa, “aftershow” para “cavorting”, não que seja ruim, pelo contrário, é fodástico o som dos caras, mas meu momento não é dos melhores.

Nas primeiras páginas daquele antigo diário eu vejo a frase da Janaina Gomes Guedes que diz: “Se quiser guardar um tempo infinitamente na memória, é preciso vivê-lo ao som de uma música”. E nesse momento estou escutando “Please Don’t”, uma canção de bateria marcada por tambores que dita as batidas do meu coração (Que cafona! by myself) enquanto viro as páginas do diário e relembro meus antigos amores.

Essa fossa que a maldita ligação me causou foi tamanha que não consigo deixar de lembrar do Libertines enquanto rola Courteeners. A influência de Clash e Smiths é clara para mim, mas lembrar do encrenqueiro Pete Doherty leva-me a pensar em absurdos. Até aí já foram 12 colheres de brigadeiro. Maldito vício. Enquanto relembro histórias de Marinas e Marianas no meu antigo diário eu chego a conclusão que vai demorar para alguma nova banda ser Messias de Manchester, mas Courteeners merece uma atenção pós momento melancolia. Hey, de quem é essa? “Crime inafiançável. Mataram um homem por ser amável”.


Ela canta, porque cantar faz bem.

Abril 4, 2008

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Mallu Magalhães é uma garotinha de 15 anos, toca diversos instrumentos, compõe belas melodias, é fã de Bob Dylan, Johnny Cash e Belle & Sebastian, mas todo mundo já sabe disso. Sabem também do jeitinho meigo dela. Sabem como ela se comporta em frente as câmeras. Sabem principalmente que é uma garota de futuro. Enquanto eu, na minha crédula esperança por uma música melhor, acredito nas boas intenções dos músicos e vejo uma luz no fim do túnel com a proporção do avanço tecnológico, alguns críticos implicam a garotinha há o mais novo produto marqueteiro da maligna indústria cultural (musical).

Quem possui o mínimo de conhecimento sabe do que a indústria cultural é capaz, não é necessário ser um especialista para sacar seus planos diabólicos. No entanto há algumas críticas em relação a Mallu Magalhães baseada em uma teoria conspiratória sem o mínimo de fundamento. Não contente com a falta de alicerce, ainda sustentam sua base textual em uma previsão inócua da carreira da garota. Bom, Não sou Nostradamus, muito menos Mãe Dináh, então eu deixo o futuro da garota nas mãos dela.

É claro que a musicalidade da Mallu é limitada, ou esperávamos um Mozart logo de cara? Ela tem um dom em suas mãos, cabe moldá-lo da maneira correta. Isso sim é fato. Porém alguns jornalistas aproveitam o “boom” de uma alma promissora para galgar acessos em suas páginas cibernéticas pessoais e se promover em uma cena que, ser do contrário é “cult”. Vamos com calma! Pode ser que essa garota seja mais um plano diabólico da indústria musical, mas pode ser que não. Ninguém pensa na hipótese de sorte ou uma obra do destino? Porra, a menina trabalhou para colocar as músicas no Myspace. Talvez eu esteja sendo inocente, talvez não. Não cabe a nós destruir a carreira dela. Cabe a nós fazermos nossas críticas ao seu trabalho artístico, com um ponto de vista jornalístico. Apenas.

Quem teve a oportunidade de conhecer a Mallu enquanto independente sabe que ela se manteve em sua essência. Não sei como será agora que os produtores, assessores, e profissionais assumiram. Talvez tomem um caminho errado, mas não porque a garotinha é um produto, e sim porque se deixou fazer um produto. Por enquanto, para mim, modesto jornalista e crente na existência de artistas que mantém sua áurea apesar do contrato, Mallu Magalhães tomará o rumo certo. Não estou prevendo como outros, mas tenho esperança e acredito no valor dessa garota, independente da Indústria para qual ela trabalha. Não podemos esquecer que nós, jornalistas fazemos parte de uma indústria tão manipuladora quanto a dela.

Por fim, espero que essa garota de educação exemplar, de um gosto singular, uma espontaneidade conquistadora, represente a competência de nossos artistas onde estiver. O mais importante é que não traia seus ideais e continue com esse aprendizado constante. De resto, nós do jornalismo, continuaremos entre tapas e beijos, pois isso é que dá prazer na profissão. E já dizia Tom Jobim: “Eu vou morrer um dia, a música vai ficar”.


Folk, melancolia e brigadeiro.

Março 31, 2008

O desejo do nada se limita a levantar o controle remoto e desligar a TV. O móvel mais próximo do sofá, em qual estou sufocado no meu desânimo, é a escrivaninha. O computador está ligado e a página do blog do gonzo com o cartaz do Folk This Town no Santa Augusta bar está aberta. Na base inferior da área de trabalho tem uma janela minimizada de uma amiga do MSN. Aquele pisca-pisca começa a me irritar. O Windows Media Player também está aberto e a música “The Biggest Lie” do Elliott Smith soa como uma trilha sonora daquela minha melancolia.

Logo me vem a questão. Será que devo fazer um café? Será que devo ir dormir? Mas são apenas 20:30h. Eu poderia ir ao Folk This Town. A graciosa Lulina e a figura Daniel Beleza estariam compondo o repertório musical do bar. Antes que Elliott me deprima mais, eu finalizo o Windows, desligo o PC e vou tomar um banho. A música da Mallú Magalhães não sai da minha cabeça e meus ânimos começam a se agitar com a água quente e o refrão de Tchubaruba. Propício não?

Apronto-me com a intenção de ir ao Santa Augusta bar. Paro na lanchonete do Estadão peço um café forte pra viagem e vou para a festa. Ao chegar, a voz suave de Lulina intercala a entrada e a saída do tom das músicas. Nem me importo, as melodias são boas e uma seqüência de tambores nas canções emite um ar desesperado por uma saída dessa amargura que, misteriosamente, decide me consumir. Minha companheira naquela festa é uma garrafa de água.

Enquanto tento lavar a alma bebendo água, meus olhos se enchem de lágrimas quando em ordem decrescente Lulina e sua banda fazem a contagem regressiva para o ano novo, mas calma aí, é apenas uma música. Ainda não enlouqueci. Sempre me emociono nas passagens de ano. Se isso é o fator primordial, não sei. Mas a garota de jeito dócil termina o show quando menos imagino. É uma pena, deixou um espaço vazio. Se quero um próximo? Quem sabe quando estiver em depressão necessitando de uns tarjas preta.

No intervalo entre as duas bandas, desfrutei de uma masturbação nostálgica ao recordar-me de quando meu descontrole emocional variava da noite para o dia. No entanto eu não tinha mais aquela idade e amor na adolescência serve apenas para perceber o quanto você é idiota, aperfeiçoar-se na técnica do sexo e aprender com os erros. Radical, não?

Daniel Beleza é realmente uma figura, ele inicia o show e já eleva seu ânimo. Seu repertório varia entre em Beck, Velvet Underground, Oasis, Roberto Carlos e etc. Seus goles no bico da garrafa de Itaipava demonstram o teor do show. Com um cigarro atrás do outro e uma voz que some aos poucos trás a galera para seu barato e dita o ritmo da festa.

O meu domingo termina com uma colherada de brigadeiro, não que chocolate seja a solução para os meus problemas, mas que meus problemas ditam a forma com que interpreto tudo a minha volta. Quando a sensibilidade está a flor da pele, reparo nos pequenos detalhes que aguçam e cada gesto, cada olhar. Cada pensamento tomam proporções maiores. O Folk This Town desse domingo foi o equilíbrio nessa minha complexidade, mas o brigadeiro não. A solução é dormir e torcer para que amanhã seja um dia mais animado. You can tchubada.


Luta Livre

Março 31, 2008

Você já cansou desses combates previsíveis entre Batman e Coringa, Superman e Lex Luttor, etc? O que você gostaria de assistir? Bom, eu adoraria ver alguns duelos inusitados. Baseado nessa peculiaridade decidi acrescentar alguns personagens no liquidificador, misturar tudo e vê no que dá. Não é que ficou interessante!

O primeiro combate ficou por conta de Esqueleto, vilão do Heman, e Vingador de Caverna do Dragão. Nessa peleja não existe favorito, apenas o senhor “forma decadente” leva alguma vantagem, pois está acostumado a apanhar do cara mais forte do mundo. Já o Vingador ataca crianças com poderes inofensivos. Mesmo assim sempre se dá mal.

Na batalha entre os Smurfs e Ursinhos Carinhosos não existe vitorioso, eles acabam fazendo as pazes e fica por isso mesmo, diferente de Carrossel e Chiquititas, afinal, duvido que a turma da Mili tenha uma vilã como a Maria Joaquina.

Já Betty Boop provavelmente dê um coro na Penélope Charmosa, as patricinhas normalmente não sabem brigar. No duelo entre gato Félix e Garfield é bem capaz que o último vença apenas na lábia. No entanto, o combate mais violento fica entre Chuck Norris e Charles Bronson, como Norris é o cara mais forte do universo, ele aniquilará Bronson apenas com o dedo mindinho.

Porém, a luta mais esperada do momento é entre o imbatível Capitão Nascimento e Dadinho, ops, Dadinho não, Zé Pequeno. Essa vai dar o que falar e enquanto esses personagens fictícios resolvem essas tretas, vou colocando o tico e teco para funcionar esperando que não encontrem pink e cérebro.