Folk, melancolia e brigadeiro.

Março 31, 2008

O desejo do nada se limita a levantar o controle remoto e desligar a TV. O móvel mais próximo do sofá, em qual estou sufocado no meu desânimo, é a escrivaninha. O computador está ligado e a página do blog do gonzo com o cartaz do Folk This Town no Santa Augusta bar está aberta. Na base inferior da área de trabalho tem uma janela minimizada de uma amiga do MSN. Aquele pisca-pisca começa a me irritar. O Windows Media Player também está aberto e a música “The Biggest Lie” do Elliott Smith soa como uma trilha sonora daquela minha melancolia.

Logo me vem a questão. Será que devo fazer um café? Será que devo ir dormir? Mas são apenas 20:30h. Eu poderia ir ao Folk This Town. A graciosa Lulina e a figura Daniel Beleza estariam compondo o repertório musical do bar. Antes que Elliott me deprima mais, eu finalizo o Windows, desligo o PC e vou tomar um banho. A música da Mallú Magalhães não sai da minha cabeça e meus ânimos começam a se agitar com a água quente e o refrão de Tchubaruba. Propício não?

Apronto-me com a intenção de ir ao Santa Augusta bar. Paro na lanchonete do Estadão peço um café forte pra viagem e vou para a festa. Ao chegar, a voz suave de Lulina intercala a entrada e a saída do tom das músicas. Nem me importo, as melodias são boas e uma seqüência de tambores nas canções emite um ar desesperado por uma saída dessa amargura que, misteriosamente, decide me consumir. Minha companheira naquela festa é uma garrafa de água.

Enquanto tento lavar a alma bebendo água, meus olhos se enchem de lágrimas quando em ordem decrescente Lulina e sua banda fazem a contagem regressiva para o ano novo, mas calma aí, é apenas uma música. Ainda não enlouqueci. Sempre me emociono nas passagens de ano. Se isso é o fator primordial, não sei. Mas a garota de jeito dócil termina o show quando menos imagino. É uma pena, deixou um espaço vazio. Se quero um próximo? Quem sabe quando estiver em depressão necessitando de uns tarjas preta.

No intervalo entre as duas bandas, desfrutei de uma masturbação nostálgica ao recordar-me de quando meu descontrole emocional variava da noite para o dia. No entanto eu não tinha mais aquela idade e amor na adolescência serve apenas para perceber o quanto você é idiota, aperfeiçoar-se na técnica do sexo e aprender com os erros. Radical, não?

Daniel Beleza é realmente uma figura, ele inicia o show e já eleva seu ânimo. Seu repertório varia entre em Beck, Velvet Underground, Oasis, Roberto Carlos e etc. Seus goles no bico da garrafa de Itaipava demonstram o teor do show. Com um cigarro atrás do outro e uma voz que some aos poucos trás a galera para seu barato e dita o ritmo da festa.

O meu domingo termina com uma colherada de brigadeiro, não que chocolate seja a solução para os meus problemas, mas que meus problemas ditam a forma com que interpreto tudo a minha volta. Quando a sensibilidade está a flor da pele, reparo nos pequenos detalhes que aguçam e cada gesto, cada olhar. Cada pensamento tomam proporções maiores. O Folk This Town desse domingo foi o equilíbrio nessa minha complexidade, mas o brigadeiro não. A solução é dormir e torcer para que amanhã seja um dia mais animado. You can tchubada.


Luta Livre

Março 31, 2008

Você já cansou desses combates previsíveis entre Batman e Coringa, Superman e Lex Luttor, etc? O que você gostaria de assistir? Bom, eu adoraria ver alguns duelos inusitados. Baseado nessa peculiaridade decidi acrescentar alguns personagens no liquidificador, misturar tudo e vê no que dá. Não é que ficou interessante!

O primeiro combate ficou por conta de Esqueleto, vilão do Heman, e Vingador de Caverna do Dragão. Nessa peleja não existe favorito, apenas o senhor “forma decadente” leva alguma vantagem, pois está acostumado a apanhar do cara mais forte do mundo. Já o Vingador ataca crianças com poderes inofensivos. Mesmo assim sempre se dá mal.

Na batalha entre os Smurfs e Ursinhos Carinhosos não existe vitorioso, eles acabam fazendo as pazes e fica por isso mesmo, diferente de Carrossel e Chiquititas, afinal, duvido que a turma da Mili tenha uma vilã como a Maria Joaquina.

Já Betty Boop provavelmente dê um coro na Penélope Charmosa, as patricinhas normalmente não sabem brigar. No duelo entre gato Félix e Garfield é bem capaz que o último vença apenas na lábia. No entanto, o combate mais violento fica entre Chuck Norris e Charles Bronson, como Norris é o cara mais forte do universo, ele aniquilará Bronson apenas com o dedo mindinho.

Porém, a luta mais esperada do momento é entre o imbatível Capitão Nascimento e Dadinho, ops, Dadinho não, Zé Pequeno. Essa vai dar o que falar e enquanto esses personagens fictícios resolvem essas tretas, vou colocando o tico e teco para funcionar esperando que não encontrem pink e cérebro.


Tipo assim: De boa!

Março 31, 2008

Se me alembro bem, nóis era um conjunto de duas pessoa. Nóis se amávamos e a cada de vida, uma coisa nova acontecia. A graça dela era Marieta. Sabe, tipo um mundo paralelo que nem os culto fala. Marieta me fazia rir, apesar de ser uma estranheza de pessoa, tudo na sua volta se mudava. Me arrecordo da veiz que fomo passiá na Sampaulo, era tudo muito grande, né? Mas a gente gostava dum parque onde tem um lago. Acho que era Iparibuera. Andamos naquelas bicicreta estranha, e comemos sanduíche dos Mac. Foi muito do bom.

Nas noite, nóis queria tomá umas pinga, e uns casar de cabelo estranho citô uma rua cum graça de muié. Igual da cumadre Augusta, muié do Requião. Nóis fomo. Diz que lá as pessoa ia pra bebe. Nóis, eu e Marieta paramo num bar onde todo mundo era do tipo moderno. Cabelo estranho, carça curta e os óculo grosso, iguar da minha época. Nóis pediu a marvada, eu e Marieta ia comemorá a vinda pra cidade, afinar, ela sempre quis avista os prédio grande. Só que o serventi tinha só da 51, nóis queria da terrinha. No fim tomamo quarqué coisa memo.

Marieta se apressionava com as pessoa. Todo mundo muito dos diferente. Essas coisa era novo pra nóis. Mas a Marieta cismo que queria ser daquele jeito. E num que ela foi pedi prum rapaz ajudá. “tudo bem sinhô, nóis num somo daqui, mas nóis queria vortá diferente pra chacra, você pode deixa nóis assim que nem o sinhô?”. O rapazinho estranho muito do educado disse que ia ajudá.

Na manhã no outro dia levou nóis pruma loja de disco de vitrola, e nos ajudo a compra umas coisa pra gente escutá. Um tar de vervet dergraund, Deividi Boa, e umas coisa nova que ele disse, Istroques, Reidiorred. Ele disse que a úrtima tinha virado as gravadora de ponta cabeça, num intendi muito bem, mas se ele é conhecido, num questionei.

Depois levou nóis numa tar de galeria do rock, e lá tinha muita genti estranha junta memô, todu mundo era dos metar, a Marieta gostá né, i eu gosto di agradá. Gastamo nossas economia das prantação com umas camiseta das banda dos disco. E fomo nos cabeleleiro. Os cara mal corto meus cabelo, ele passo uns trécos, deu umas parada e bagunço tudo, já na marieta ele corto a frente nas artura dos zóio e a parte dos lado e de trás nas artura dos ombro.

Nóis ficou diferente também, e até que gostamo desse estilo. A Marieta disse que nóis tava féchiom. Quando vortamo pra chacra, nosso cumpadre e cumadres estranho, mas nóis ensino eles. Fizemos varias coisa legar, tipo ouvio as moda, bebemos e até fumamo um cigarrinho de paia que o rapáiz deu pra nóis. Num sei bem como foi essa experiência na cidade, mas nóis vortamos gostando mais um do outro. A Marieta gosto das diferença. Acho porque se o mesmo sempre, num é bom. Né? Vô coloca a moda do Deividi Boa na vitrola e ficá, tipo assim: di boa.


Bob Dylan: 2º dia em Sampa.

Março 7, 2008

TOCA MÚSICA DECENTE! Um senhor de, aparentemente 60 anos, gritava essa frase absurda. Sei que Dylan não escutava, mas pudera. O som estava “numa finura” espetacular, Bob com seu chapéu preto e terninho cinza se arriscava numa tímida dancinha com os pés. Mas o tio não estava contente, continuava vaiando e dando uns goles em uma garrafinha de uísque.

Em minha frente tinha um power trio da alta sociedade paulistana. Eram três jovens. Duas garotas e um garoto. Percebia-se que eles entendiam de Dylan da mesma maneira que idolatravam o livro Capital do Karl Marx. O garoto abriu uma garrafa de vinho. Sabe-se lá quanto custou, afinal, uma mera latinha de cerveja era seis reais, duas, treze e cinqüenta. Eu sei que tem algo errado nessa conta, mas não entendi muito bem o que o garçom disse, só queria refrescar essa quentura que a ansiedade por um show do lendário Bob Dylan proporciona.

Ao final, uma garota rápida no gatilho, correu no palco e deu um belo de um apertão em Dylan, logo em seguida foi retirada pelos seguranças e na euforia incontida, o tchauzinho foi a melhor expressão para demonstrar sua alegria em ter tocado no mito da música mundial.

O show foi primoroso, no entanto, o que me deixou aborrecido, é que a grande maioria não sabia o significado daquele concerto. Muitos entoaram em uníssono os refrões das canções, Like A Rolling Stone e Blowin’ In The Wind, apenas isso. O show terminou sob ovação de um público ignorante. O preço do ingresso foi fator predominante para afastar o público do Dylan e aproximar a babação de ovo dos repórteres da revista Caras. Será que Bob sabia disso?

No mais, o mundo paralelo em que me envolvi foi importante para definir meu grau de delírio nessa apresentação que, provavelmente, pode ter sido a única da minha vida, embora eu saiba que Dylan é eterno, imortal em nossas vidas, mito não morre, né não? Bom, vou procurar a resposta no vento.

Segue o repertório do dia 06 de março de 2008:

1. Rainy Day Women 12th & 35
2. Lay Lady Lay
3. I´ll be your baby tonight
4. Lovesick
5. The Levee’s Gonna Break
6. Spirit On The Water
7. A Hard Rain’s Gonna Fall
8. Rollin’ and Tumblin’!
9. Workingman’s Blues #2
10. Highway 61 Revisited
11. When The Deal Goes Down
12. Tangled Up In Blue
13. Ain’t Talkin’
14. Summer Days
15. Like A Rolling Stone
16. Thunder On The Mountain
17. Blowin’ In The Wind