A História que não é da Bianca Story

Abril 30, 2008

Uma coisa é fato, a Virada Cultural foi muito boa, principalmente para mim, que após superar minhas idiotices, dei vazão a sentimentos mais nobres, tal como: O amor. Após àquelas 24h repletos de música injetado na veia eu pude parar para refletir. Como esse diário virtual sentimental não vive sem uma trilha sonora eu coloquei Hi Society do Bianca Story (o nome da banda não tem nenhuma relação com o que aconteceu comigo na virada). Eu ainda não tinha escutado essa banda. Ela veio da Suíça e lançou esse álbum no começo desse ano. Banda oriunda da Suíça?

Pois é, essa banda é mesmo da Suíça e está chutando o balde no cenário indie Europeu. Por falar em chutar balde, esse final de semana eu aproveitei para ver as chutadas de balde na Virada Cultural e me dei bem, alguns shows bons outros ruins, porém, um coração disparado em sincronia com os ritmos das diversas bandas que se apresentaram, com destaque para o Retrofoguetes da Bahia, que me animou bastante, isso sem falar do Overcomming Trio que me surpreendeu com apresentação do Hélio do Vanguart e da Mallú Magalhães. Eu estava bem acompanhado, a dona do meu coração que, por acaso, possui um gosto musical bem parecido com o meu, dividiu as mesmas sensações de um bom rock misturado com um desejo enlouquecido de um bom amasso.

Bianca Story possui influências de Franz Ferdinand, Strokes e o vocal da bela Anna Waibel lembra um pouquinho de PJ Harvey, se isso é bom? É claro. Anna divide os vocais com Elia Rediger, que nos trás uma profunda nostalgia oitentista em seus vocais, é nesse conceito que Paper Piano abre o disco. Não é preciso analisar muito o disco para chegar a conclusão que a banda é a boa nova das “new bands”. A faixa fire me se aproxima muito das harmonias e guitarras marcadas das banda de Julian Casablanca, os Strokes.

Mas eu estava falando da minha nova paixão, né não? Voltando, no sábado de tarde, estávamos nos preparando para o evento da virada, até que houve um pedido de namoro, não partiu de mim, partiu dela. Tudo bem que fiz um doce durante a semana, sabia que isso aconteceria, mas no sábado a vontade prevaleceu e o “sim” veio com um forte abraço após o banho. Isso mesmo, eu ainda estava de toalha. Give it Up for Life é minha música predileta desse álbum, mas self portrait mexeu comigo. De acordo com esse clima romântico.

Bom, vou aproveitar esse meu momento de felicidade, pois já dizia Voltaire que: Paixão é uma infinidade de ilusões que serve de analgésico para a alma. As paixões são como ventanias que enfurnam as velas dos navios, fazendo-os navegar; outras vezes podem fazê-los naufragar, mas se não fossem elas, não haveriam viagens nem aventuras nem novas descobertas. E que esse seja o início de uma nova história, quem sabe, sob a trilha sonora de Bianca Story.


Silversun Pickups e minha idiotice

Abril 21, 2008

“Quem ama, pensa que vai ser felicíssimo; e estranha qualquer espécie de sofrimento. Ora, a vida ensina, justamente, que duas criaturas que se amam, sofrem, fatalmente. Não por culpa de um ou de outro; mas em conseqüência do próprio sentimento. É exato que os amores têm seus êxtases deslumbrantes, momentos perfeitos, musicais etc. etc. mas eu disse “momentos” e não 24 horas de cada dia.”

O trecho de “Amar uma vez e sempre” de Nelson Rodrigues é o inicio desse post, talvez porque a raiva que sinto dele, seja a mesma raiva que sinto quando amo e não sou compreendido. Ser compreendido no amor, talvez seja mais importante que amar, pois ser amado quando amar implica falta de soberania da felicidade é aterrorizante.

Eu queria ouvir Smashing Pumpkins enquanto escrevia esse texto, mas o cansaço da mesmice, tal como, a mesmice do amor é irrefutável nesse momento. Eu sei o quanto esse texto pode parecer bizarro, complexo e um desabafo subliminar da minha fossa. Talvez você deva estar pensando que esse blog deveria chamar fossa, ao invés de Poolts, mas como não consigo escrever quando feliz, então vai isso mesmo.

Lembro de uma frase de Rob Gordon em Alta Fidelidade que diz assim: “Eu não sei se sou triste porque escuto música, ou escuto música porque sou triste”, e é basicamente assim que me sinto. Nesse momento estou dividindo minha dor com a banda norte americana Silversun Pickups, foi um refúgio do Smashing já que é tão parecido. Outras horas eu poderia estar destruindo essa banda, mas estou a seus pés. COMO ALGUÉM PODE FAZER ALGO ASSIM? Eu sei, eu sei, é parecido, mas tenho que admitir que é bom demais.

As pessoas costumam jogar na sua cara o quanto você é idiota e isso é freqüente quando você age como idiota. Não que agir como idiota seja um hábito, mas quem não faz isso quando gosta? Pois é, mas quando se percebe que está sendo esse mentecapto eis que chega a auto-destruição, aí toma vodca, cigarro e melancolia e ouve Silversun Pickups, meus Deus, isso é Smashing Pumpkins, repara nos overdubs das guitarras raivosas…

… Raiva, essa palavra é pujante, mas de quem sentir raiva? De quem não gosta de você? Nessa circunstância a raiva de você mesmo é a melhor saída. “cool like the ocean, burned like a summer home, fooled by the notion, that the sums don’t add up at all”, (Frio como o oceano, queimada como uma casa de verão, enganados pelas idéias, que as somas não adicionam nada). Essa canção é Three Seed e explica muito bem a tempestade que me encontro. Enquanto tento me desvencilhar da mesmice que é sofrer por amor, a mesmice fenomenal dessa banda me deixa pior do que já estou. Nesse caso, então, eu escuto música porque estou triste.

Enquanto a vodca e cigarro pairam nesse apartamento, a dor constante se mistura as melodias pegajosas de Melatonin, e olha que coincidência, “My brain doesn’t produce any, I’m soaring without anything” (Meu cérebro não está produzindo nada, estou levitando sem nada), é exatamente como me sinto e não me deixa sair desse estado-maior-de-grades melancólico, é uma canção que fala. E quando deveria ter raiva, eu entro em fascínio com tristeza.

Enquanto o lixo tóxico invade minhas entranhas eu continuo nessa conduta maléfica de me achar idiota, não porque eu seja um idiota, mas porque me fizeram achar. Existe uma saída racional para isso, mas essa saída racional vem depois da auto-afirmação.


Que culpa Courteeners tem?

Abril 14, 2008

Esse final de semana foi um momento de purificação psicológica, tinha decidido assistir os episódios 23, 24 e 25 da série Twin Peaks, comer uma lata de brigadeiro e ouvir o álbum do Courteeners, St. Jude. Não faria mais nada além desse retiro espiritual, se é que posso chamar assim. O policial Cooper, protagonista da série, em um dos episódios disse que devemos nos dar um presente por dia e decidi seguir esse conselho a risca.

Já tinha traçado um plano estratégico para minha hibernação, mas o destino confabula contra e logo nos três primeiro minutos sozinho, antes da série, antes do Courteeners e durante o brigadeiro, uma ligação inesperada deixou meu estimado final de semana mais melancólico. Isso atrapalhou de certa forma meus planos, a série de Mark Frost e David Lynch ficou para outro dia.

Quem ligou não vem ao caso, mas foi o suficiente para me afundar na nostalgia e na melancolia vexante. Mas isso não me impediria de ouvir a nova aposta vindo de Manchester, os Courteeners. Segundo as más línguas a banda inglesa são os novos messias de Manchester (bobagens da NME), a terrinha do Oasis e Smiths. Coloquei o volume no dez (alguém ainda fala assim?) e comecei uma arrumação na estante de casa. Nessa hora eu já tinha consumido quatro colheres de brigadeiro, já estava prevendo o revertério nas vísceras.

No meio daquela bagunça absurda, com o pensamento na “Franqueza Trash” das novas concepções amorosas da dona da ligação, eu me deparo com um antigo diário, pois é, um diário, sempre gostei de escrever, matusalém só não leu esse porque era secreto. Eis que a nostalgia aparece oscilando minha pulsação e despeita uma voadora giratória invertida de pé trocado na minha nuca. Um baque. Pronto, o ambiente está propicio ao suicídio (Credo Eder, que drama! By mãe). Só fui salvo por causa da mudança de faixa, “aftershow” para “cavorting”, não que seja ruim, pelo contrário, é fodástico o som dos caras, mas meu momento não é dos melhores.

Nas primeiras páginas daquele antigo diário eu vejo a frase da Janaina Gomes Guedes que diz: “Se quiser guardar um tempo infinitamente na memória, é preciso vivê-lo ao som de uma música”. E nesse momento estou escutando “Please Don’t”, uma canção de bateria marcada por tambores que dita as batidas do meu coração (Que cafona! by myself) enquanto viro as páginas do diário e relembro meus antigos amores.

Essa fossa que a maldita ligação me causou foi tamanha que não consigo deixar de lembrar do Libertines enquanto rola Courteeners. A influência de Clash e Smiths é clara para mim, mas lembrar do encrenqueiro Pete Doherty leva-me a pensar em absurdos. Até aí já foram 12 colheres de brigadeiro. Maldito vício. Enquanto relembro histórias de Marinas e Marianas no meu antigo diário eu chego a conclusão que vai demorar para alguma nova banda ser Messias de Manchester, mas Courteeners merece uma atenção pós momento melancolia. Hey, de quem é essa? “Crime inafiançável. Mataram um homem por ser amável”.


Ela canta, porque cantar faz bem.

Abril 4, 2008

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Mallu Magalhães é uma garotinha de 15 anos, toca diversos instrumentos, compõe belas melodias, é fã de Bob Dylan, Johnny Cash e Belle & Sebastian, mas todo mundo já sabe disso. Sabem também do jeitinho meigo dela. Sabem como ela se comporta em frente as câmeras. Sabem principalmente que é uma garota de futuro. Enquanto eu, na minha crédula esperança por uma música melhor, acredito nas boas intenções dos músicos e vejo uma luz no fim do túnel com a proporção do avanço tecnológico, alguns críticos implicam a garotinha há o mais novo produto marqueteiro da maligna indústria cultural (musical).

Quem possui o mínimo de conhecimento sabe do que a indústria cultural é capaz, não é necessário ser um especialista para sacar seus planos diabólicos. No entanto há algumas críticas em relação a Mallu Magalhães baseada em uma teoria conspiratória sem o mínimo de fundamento. Não contente com a falta de alicerce, ainda sustentam sua base textual em uma previsão inócua da carreira da garota. Bom, Não sou Nostradamus, muito menos Mãe Dináh, então eu deixo o futuro da garota nas mãos dela.

É claro que a musicalidade da Mallu é limitada, ou esperávamos um Mozart logo de cara? Ela tem um dom em suas mãos, cabe moldá-lo da maneira correta. Isso sim é fato. Porém alguns jornalistas aproveitam o “boom” de uma alma promissora para galgar acessos em suas páginas cibernéticas pessoais e se promover em uma cena que, ser do contrário é “cult”. Vamos com calma! Pode ser que essa garota seja mais um plano diabólico da indústria musical, mas pode ser que não. Ninguém pensa na hipótese de sorte ou uma obra do destino? Porra, a menina trabalhou para colocar as músicas no Myspace. Talvez eu esteja sendo inocente, talvez não. Não cabe a nós destruir a carreira dela. Cabe a nós fazermos nossas críticas ao seu trabalho artístico, com um ponto de vista jornalístico. Apenas.

Quem teve a oportunidade de conhecer a Mallu enquanto independente sabe que ela se manteve em sua essência. Não sei como será agora que os produtores, assessores, e profissionais assumiram. Talvez tomem um caminho errado, mas não porque a garotinha é um produto, e sim porque se deixou fazer um produto. Por enquanto, para mim, modesto jornalista e crente na existência de artistas que mantém sua áurea apesar do contrato, Mallu Magalhães tomará o rumo certo. Não estou prevendo como outros, mas tenho esperança e acredito no valor dessa garota, independente da Indústria para qual ela trabalha. Não podemos esquecer que nós, jornalistas fazemos parte de uma indústria tão manipuladora quanto a dela.

Por fim, espero que essa garota de educação exemplar, de um gosto singular, uma espontaneidade conquistadora, represente a competência de nossos artistas onde estiver. O mais importante é que não traia seus ideais e continue com esse aprendizado constante. De resto, nós do jornalismo, continuaremos entre tapas e beijos, pois isso é que dá prazer na profissão. E já dizia Tom Jobim: “Eu vou morrer um dia, a música vai ficar”.