Que culpa Courteeners tem?

Esse final de semana foi um momento de purificação psicológica, tinha decidido assistir os episódios 23, 24 e 25 da série Twin Peaks, comer uma lata de brigadeiro e ouvir o álbum do Courteeners, St. Jude. Não faria mais nada além desse retiro espiritual, se é que posso chamar assim. O policial Cooper, protagonista da série, em um dos episódios disse que devemos nos dar um presente por dia e decidi seguir esse conselho a risca.

Já tinha traçado um plano estratégico para minha hibernação, mas o destino confabula contra e logo nos três primeiro minutos sozinho, antes da série, antes do Courteeners e durante o brigadeiro, uma ligação inesperada deixou meu estimado final de semana mais melancólico. Isso atrapalhou de certa forma meus planos, a série de Mark Frost e David Lynch ficou para outro dia.

Quem ligou não vem ao caso, mas foi o suficiente para me afundar na nostalgia e na melancolia vexante. Mas isso não me impediria de ouvir a nova aposta vindo de Manchester, os Courteeners. Segundo as más línguas a banda inglesa são os novos messias de Manchester (bobagens da NME), a terrinha do Oasis e Smiths. Coloquei o volume no dez (alguém ainda fala assim?) e comecei uma arrumação na estante de casa. Nessa hora eu já tinha consumido quatro colheres de brigadeiro, já estava prevendo o revertério nas vísceras.

No meio daquela bagunça absurda, com o pensamento na “Franqueza Trash” das novas concepções amorosas da dona da ligação, eu me deparo com um antigo diário, pois é, um diário, sempre gostei de escrever, matusalém só não leu esse porque era secreto. Eis que a nostalgia aparece oscilando minha pulsação e despeita uma voadora giratória invertida de pé trocado na minha nuca. Um baque. Pronto, o ambiente está propicio ao suicídio (Credo Eder, que drama! By mãe). Só fui salvo por causa da mudança de faixa, “aftershow” para “cavorting”, não que seja ruim, pelo contrário, é fodástico o som dos caras, mas meu momento não é dos melhores.

Nas primeiras páginas daquele antigo diário eu vejo a frase da Janaina Gomes Guedes que diz: “Se quiser guardar um tempo infinitamente na memória, é preciso vivê-lo ao som de uma música”. E nesse momento estou escutando “Please Don’t”, uma canção de bateria marcada por tambores que dita as batidas do meu coração (Que cafona! by myself) enquanto viro as páginas do diário e relembro meus antigos amores.

Essa fossa que a maldita ligação me causou foi tamanha que não consigo deixar de lembrar do Libertines enquanto rola Courteeners. A influência de Clash e Smiths é clara para mim, mas lembrar do encrenqueiro Pete Doherty leva-me a pensar em absurdos. Até aí já foram 12 colheres de brigadeiro. Maldito vício. Enquanto relembro histórias de Marinas e Marianas no meu antigo diário eu chego a conclusão que vai demorar para alguma nova banda ser Messias de Manchester, mas Courteeners merece uma atenção pós momento melancolia. Hey, de quem é essa? “Crime inafiançável. Mataram um homem por ser amável”.

2 Respostas para “Que culpa Courteeners tem?”

  1. Dona da ligação Disse:

    Quer dizer que minha ligação causou tanta melancolia assim?! Ou causou mais “agitação” no seu findi?! Que seja! Mesmo com o lado Trash da noite, ela rendeu boas risadas, né?! Passa rapidinho, incrível. Só tenho uma reclamação: da próxima, guarda brigadeiro pra mim tb!!! haha Apesar que dá um revertério depois…. =P
    Teadoro!

  2. Jaum Godoy Disse:

    Ta aí, uma banda a mais pra eu conhecer e ouvir no “10″ (eu ainda uso essa expressão também). Também promovo esses “retiros espirituais” em casa acompanhado de gibis, livros, dvds e mp3. Mas sempre sou interrompido por tios chatos que aparecem para dizer: “olha como ele cresceu”.

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