“Quem ama, pensa que vai ser felicíssimo; e estranha qualquer espécie de sofrimento. Ora, a vida ensina, justamente, que duas criaturas que se amam, sofrem, fatalmente. Não por culpa de um ou de outro; mas em conseqüência do próprio sentimento. É exato que os amores têm seus êxtases deslumbrantes, momentos perfeitos, musicais etc. etc. mas eu disse “momentos” e não 24 horas de cada dia.”
O trecho de “Amar uma vez e sempre” de Nelson Rodrigues é o inicio desse post, talvez porque a raiva que sinto dele, seja a mesma raiva que sinto quando amo e não sou compreendido. Ser compreendido no amor, talvez seja mais importante que amar, pois ser amado quando amar implica falta de soberania da felicidade é aterrorizante.
Eu queria ouvir Smashing Pumpkins enquanto escrevia esse texto, mas o cansaço da mesmice, tal como, a mesmice do amor é irrefutável nesse momento. Eu sei o quanto esse texto pode parecer bizarro, complexo e um desabafo subliminar da minha fossa. Talvez você deva estar pensando que esse blog deveria chamar fossa, ao invés de Poolts, mas como não consigo escrever quando feliz, então vai isso mesmo.
Lembro de uma frase de Rob Gordon em Alta Fidelidade que diz assim: “Eu não sei se sou triste porque escuto música, ou escuto música porque sou triste”, e é basicamente assim que me sinto. Nesse momento estou dividindo minha dor com a banda norte americana Silversun Pickups, foi um refúgio do Smashing já que é tão parecido. Outras horas eu poderia estar destruindo essa banda, mas estou a seus pés. COMO ALGUÉM PODE FAZER ALGO ASSIM? Eu sei, eu sei, é parecido, mas tenho que admitir que é bom demais.
As pessoas costumam jogar na sua cara o quanto você é idiota e isso é freqüente quando você age como idiota. Não que agir como idiota seja um hábito, mas quem não faz isso quando gosta? Pois é, mas quando se percebe que está sendo esse mentecapto eis que chega a auto-destruição, aí toma vodca, cigarro e melancolia e ouve Silversun Pickups, meus Deus, isso é Smashing Pumpkins, repara nos overdubs das guitarras raivosas…
… Raiva, essa palavra é pujante, mas de quem sentir raiva? De quem não gosta de você? Nessa circunstância a raiva de você mesmo é a melhor saída. “cool like the ocean, burned like a summer home, fooled by the notion, that the sums don’t add up at all”, (Frio como o oceano, queimada como uma casa de verão, enganados pelas idéias, que as somas não adicionam nada). Essa canção é Three Seed e explica muito bem a tempestade que me encontro. Enquanto tento me desvencilhar da mesmice que é sofrer por amor, a mesmice fenomenal dessa banda me deixa pior do que já estou. Nesse caso, então, eu escuto música porque estou triste.
Enquanto a vodca e cigarro pairam nesse apartamento, a dor constante se mistura as melodias pegajosas de Melatonin, e olha que coincidência, “My brain doesn’t produce any, I’m soaring without anything” (Meu cérebro não está produzindo nada, estou levitando sem nada), é exatamente como me sinto e não me deixa sair desse estado-maior-de-grades melancólico, é uma canção que fala. E quando deveria ter raiva, eu entro em fascínio com tristeza.
Enquanto o lixo tóxico invade minhas entranhas eu continuo nessa conduta maléfica de me achar idiota, não porque eu seja um idiota, mas porque me fizeram achar. Existe uma saída racional para isso, mas essa saída racional vem depois da auto-afirmação.


Abril 24, 2008 às 5:49 pm |
eiiii Ederrr
vc escreve tão bem, mas tnao bem, que nem sei como comentar seus textos… rsrsrs
Entonces, não mude seu jeito de amar por ninguém, ele é único e é seu, só seu! Pode haver quem não goste, mas com certeza o amor se materializará por completo quando achar um ser humano compatível com você… e cá entre nós, vc é um ser humano do caralho… Acho que deve ser mesmo muito difícil para o ser que você ama aguentar a responsabilidade de ser amada por você, porque com certeza deve rolar um puta medo de não conseguir manter esse amor por falta de capacidade mental, ou sentimental, ou intencional… sei lá… X…
procure sempre o bem, a felicidade, amores nnao servem para nada, só para nos completar nos infinitos momentos de solidão, então… que tal palavras-cruzadas?
beijos