Meu corpo trêmulo, uma sensação contínua de estar doente, fraqueza, fraqueza. A melancolia leva-me de um lado para o outro. Ora paixão, ora racionalidade, ora fogo, ora desespero. De onde vem essa auto-destruição se não de você mesma? Definitivamente, é o meu câncer.
Ela canta, porque cantar faz bem.
Abril 4, 2008
Mallu Magalhães é uma garotinha de 15 anos, toca diversos instrumentos, compõe belas melodias, é fã de Bob Dylan, Johnny Cash e Belle & Sebastian, mas todo mundo já sabe disso. Sabem também do jeitinho meigo dela. Sabem como ela se comporta em frente as câmeras. Sabem principalmente que é uma garota de futuro. Enquanto eu, na minha crédula esperança por uma música melhor, acredito nas boas intenções dos músicos e vejo uma luz no fim do túnel com a proporção do avanço tecnológico, alguns críticos implicam a garotinha há o mais novo produto marqueteiro da maligna indústria cultural (musical).
Quem possui o mínimo de conhecimento sabe do que a indústria cultural é capaz, não é necessário ser um especialista para sacar seus planos diabólicos. No entanto há algumas críticas em relação a Mallu Magalhães baseada em uma teoria conspiratória sem o mínimo de fundamento. Não contente com a falta de alicerce, ainda sustentam sua base textual em uma previsão inócua da carreira da garota. Bom, Não sou Nostradamus, muito menos Mãe Dináh, então eu deixo o futuro da garota nas mãos dela.
É claro que a musicalidade da Mallu é limitada, ou esperávamos um Mozart logo de cara? Ela tem um dom em suas mãos, cabe moldá-lo da maneira correta. Isso sim é fato. Porém alguns jornalistas aproveitam o “boom” de uma alma promissora para galgar acessos em suas páginas cibernéticas pessoais e se promover em uma cena que, ser do contrário é “cult”. Vamos com calma! Pode ser que essa garota seja mais um plano diabólico da indústria musical, mas pode ser que não. Ninguém pensa na hipótese de sorte ou uma obra do destino? Porra, a menina trabalhou para colocar as músicas no Myspace. Talvez eu esteja sendo inocente, talvez não. Não cabe a nós destruir a carreira dela. Cabe a nós fazermos nossas críticas ao seu trabalho artístico, com um ponto de vista jornalístico. Apenas.
Quem teve a oportunidade de conhecer a Mallu enquanto independente sabe que ela se manteve em sua essência. Não sei como será agora que os produtores, assessores, e profissionais assumiram. Talvez tomem um caminho errado, mas não porque a garotinha é um produto, e sim porque se deixou fazer um produto. Por enquanto, para mim, modesto jornalista e crente na existência de artistas que mantém sua áurea apesar do contrato, Mallu Magalhães tomará o rumo certo. Não estou prevendo como outros, mas tenho esperança e acredito no valor dessa garota, independente da Indústria para qual ela trabalha. Não podemos esquecer que nós, jornalistas fazemos parte de uma indústria tão manipuladora quanto a dela.
Por fim, espero que essa garota de educação exemplar, de um gosto singular, uma espontaneidade conquistadora, represente a competência de nossos artistas onde estiver. O mais importante é que não traia seus ideais e continue com esse aprendizado constante. De resto, nós do jornalismo, continuaremos entre tapas e beijos, pois isso é que dá prazer na profissão. E já dizia Tom Jobim: “Eu vou morrer um dia, a música vai ficar”.
Folk, melancolia e brigadeiro.
Março 31, 2008O desejo do nada se limita a levantar o controle remoto e desligar a TV. O móvel mais próximo do sofá, em qual estou sufocado no meu desânimo, é a escrivaninha. O computador está ligado e a página do blog do gonzo com o cartaz do Folk This Town no Santa Augusta bar está aberta. Na base inferior da área de trabalho tem uma janela minimizada de uma amiga do MSN. Aquele pisca-pisca começa a me irritar. O Windows Media Player também está aberto e a música “The Biggest Lie” do Elliott Smith soa como uma trilha sonora daquela minha melancolia.
Logo me vem a questão. Será que devo fazer um café? Será que devo ir dormir? Mas são apenas 20:30h. Eu poderia ir ao Folk This Town. A graciosa Lulina e a figura Daniel Beleza estariam compondo o repertório musical do bar. Antes que Elliott me deprima mais, eu finalizo o Windows, desligo o PC e vou tomar um banho. A música da Mallú Magalhães não sai da minha cabeça e meus ânimos começam a se agitar com a água quente e o refrão de Tchubaruba. Propício não?
Apronto-me com a intenção de ir ao Santa Augusta bar. Paro na lanchonete do Estadão peço um café forte pra viagem e vou para a festa. Ao chegar, a voz suave de Lulina intercala a entrada e a saída do tom das músicas. Nem me importo, as melodias são boas e uma seqüência de tambores nas canções emite um ar desesperado por uma saída dessa amargura que, misteriosamente, decide me consumir. Minha companheira naquela festa é uma garrafa de água.
Enquanto tento lavar a alma bebendo água, meus olhos se enchem de lágrimas quando em ordem decrescente Lulina e sua banda fazem a contagem regressiva para o ano novo, mas calma aí, é apenas uma música. Ainda não enlouqueci. Sempre me emociono nas passagens de ano. Se isso é o fator primordial, não sei. Mas a garota de jeito dócil termina o show quando menos imagino. É uma pena, deixou um espaço vazio. Se quero um próximo? Quem sabe quando estiver em depressão necessitando de uns tarjas preta.
No intervalo entre as duas bandas, desfrutei de uma masturbação nostálgica ao recordar-me de quando meu descontrole emocional variava da noite para o dia. No entanto eu não tinha mais aquela idade e amor na adolescência serve apenas para perceber o quanto você é idiota, aperfeiçoar-se na técnica do sexo e aprender com os erros. Radical, não?
Daniel Beleza é realmente uma figura, ele inicia o show e já eleva seu ânimo. Seu repertório varia entre em Beck, Velvet Underground, Oasis, Roberto Carlos e etc. Seus goles no bico da garrafa de Itaipava demonstram o teor do show. Com um cigarro atrás do outro e uma voz que some aos poucos trás a galera para seu barato e dita o ritmo da festa.
O meu domingo termina com uma colherada de brigadeiro, não que chocolate seja a solução para os meus problemas, mas que meus problemas ditam a forma com que interpreto tudo a minha volta. Quando a sensibilidade está a flor da pele, reparo nos pequenos detalhes que aguçam e cada gesto, cada olhar. Cada pensamento tomam proporções maiores. O Folk This Town desse domingo foi o equilíbrio nessa minha complexidade, mas o brigadeiro não. A solução é dormir e torcer para que amanhã seja um dia mais animado. You can tchubada.
Escrito por Eder Bruno Teodoro 
Escrito por Eder Bruno Teodoro
Escrito por Eder Bruno Teodoro