Meu câncer

Outubro 16, 2009

Meu corpo trêmulo, uma sensação contínua de estar doente, fraqueza, fraqueza. A melancolia leva-me de um lado para o outro. Ora paixão, ora racionalidade, ora fogo, ora desespero. De onde vem essa auto-destruição se não de você mesma? Definitivamente, é o meu câncer.


Um feriado Kent

Maio 5, 2008

Na quarta-feira eu já estava com as malas prontas para visitar a família no interior, dessa vez o feriado prolongado proporcionou quatro belos dias chuvosos. Mariana foi comigo conhecer minha estranha família e amigos de infância. Durante a viagem discutíamos qual seria a banda do nosso namoro. Logo de cara ela sugeriu os suecos do Kent, afinal, foi a primeira coletânea que preparei especialmente pra ela. Não gostei muito da idéia, adoraria que fosse a trilha Sonora de “High Fidelity”, motivo de nós nos conhecermos. Mas não questionei, seu desejo estava estabelecido sem hesitação da minha parte.

Lembro-me do processo de gravação da coletânea há oito meses atrás, eu já estava apaixonado e aquele interesse por música da Mariana me deixava extremamente excitado. Sabe aquele anseio de mostrar bandas novas, gravar inúmeras coletâneas e fazer sexo ao som de Portishead? Pois é, era mais ou menos isso. Eu decidi gravar a coletânea do Kent após ela pedir pra escutar o que estava rolando nos meus “headphones”, num dia qualquer de aula na facul. Foi paixão a primeira vista, não por mim, mas pela banda. O álbum era “Du & Doden” de 2005 e estava no último volume. Ela colocou os fones e abriu um sorriso lindo ao ouvir os primeiros acordes de 400 slag, nos primeiros trinta segundos de música conseguiu pronunciar apenas uma frase – grava pra mim? – Lógico! Agarrei a proposta, afinal, era o começo de uma relação que nem imaginava como seria.

Não existe uma boa música sem amor e nem amor sem música, logo no primeiro olhar notei a musicalidade na aura daquela garota e baseado naquela harmonia, fiquei encantado pelos ritmos daqueles longos cabelos dourados contra o vento ( que lindo!). Foram meses de luta para conquistá-la e nesse feriado pude sentir a base fixa de um relacionamento louco sustentado belas melodias do rock alternativo. Nesse momento estou preparando uma nova coletânea, essa é diferente de todas as outras, pois é a consolidação de uma progressão contínua.

A introdução de uma música é a porta para o mundo ao qual você deseja entrar, ou não, precisa ser convidativa, precisa ser excitante, estimulante para que esse mundo seja parte à realidade. A seqüência que segue após a entrada é composta por caminhos que devem lhe trazer o conforto instigante de um abraço bem forte provido de muita paixão. A coletânea do Kent tinha a função de ser a introdução dessa parceria repleta de ardor, amizade e música. As próximas coletâneas devem exercer a função de mantenedora constante desse relacionamento.

O feriado foi musicalmente esclarecedor, eu pude perceber quais gêneros ditam o ritmo do meu namoro e isso demonstrou que na primeira faixa, a banda sueca mais querida do meu coração, sem dúvida alguma, prevalece soberana com a canção “music non stop”. Enquanto eu vou revirando os arquivos, pesquisando letras e absolvendo outras melodias para a construção e estruturação dessa coletânea, vou pensando nessa garota e aceitando sugestões. Alguém sabe me dizer quando é o próximo feriado?


A História que não é da Bianca Story

Abril 30, 2008

Uma coisa é fato, a Virada Cultural foi muito boa, principalmente para mim, que após superar minhas idiotices, dei vazão a sentimentos mais nobres, tal como: O amor. Após àquelas 24h repletos de música injetado na veia eu pude parar para refletir. Como esse diário virtual sentimental não vive sem uma trilha sonora eu coloquei Hi Society do Bianca Story (o nome da banda não tem nenhuma relação com o que aconteceu comigo na virada). Eu ainda não tinha escutado essa banda. Ela veio da Suíça e lançou esse álbum no começo desse ano. Banda oriunda da Suíça?

Pois é, essa banda é mesmo da Suíça e está chutando o balde no cenário indie Europeu. Por falar em chutar balde, esse final de semana eu aproveitei para ver as chutadas de balde na Virada Cultural e me dei bem, alguns shows bons outros ruins, porém, um coração disparado em sincronia com os ritmos das diversas bandas que se apresentaram, com destaque para o Retrofoguetes da Bahia, que me animou bastante, isso sem falar do Overcomming Trio que me surpreendeu com apresentação do Hélio do Vanguart e da Mallú Magalhães. Eu estava bem acompanhado, a dona do meu coração que, por acaso, possui um gosto musical bem parecido com o meu, dividiu as mesmas sensações de um bom rock misturado com um desejo enlouquecido de um bom amasso.

Bianca Story possui influências de Franz Ferdinand, Strokes e o vocal da bela Anna Waibel lembra um pouquinho de PJ Harvey, se isso é bom? É claro. Anna divide os vocais com Elia Rediger, que nos trás uma profunda nostalgia oitentista em seus vocais, é nesse conceito que Paper Piano abre o disco. Não é preciso analisar muito o disco para chegar a conclusão que a banda é a boa nova das “new bands”. A faixa fire me se aproxima muito das harmonias e guitarras marcadas das banda de Julian Casablanca, os Strokes.

Mas eu estava falando da minha nova paixão, né não? Voltando, no sábado de tarde, estávamos nos preparando para o evento da virada, até que houve um pedido de namoro, não partiu de mim, partiu dela. Tudo bem que fiz um doce durante a semana, sabia que isso aconteceria, mas no sábado a vontade prevaleceu e o “sim” veio com um forte abraço após o banho. Isso mesmo, eu ainda estava de toalha. Give it Up for Life é minha música predileta desse álbum, mas self portrait mexeu comigo. De acordo com esse clima romântico.

Bom, vou aproveitar esse meu momento de felicidade, pois já dizia Voltaire que: Paixão é uma infinidade de ilusões que serve de analgésico para a alma. As paixões são como ventanias que enfurnam as velas dos navios, fazendo-os navegar; outras vezes podem fazê-los naufragar, mas se não fossem elas, não haveriam viagens nem aventuras nem novas descobertas. E que esse seja o início de uma nova história, quem sabe, sob a trilha sonora de Bianca Story.


Silversun Pickups e minha idiotice

Abril 21, 2008

“Quem ama, pensa que vai ser felicíssimo; e estranha qualquer espécie de sofrimento. Ora, a vida ensina, justamente, que duas criaturas que se amam, sofrem, fatalmente. Não por culpa de um ou de outro; mas em conseqüência do próprio sentimento. É exato que os amores têm seus êxtases deslumbrantes, momentos perfeitos, musicais etc. etc. mas eu disse “momentos” e não 24 horas de cada dia.”

O trecho de “Amar uma vez e sempre” de Nelson Rodrigues é o inicio desse post, talvez porque a raiva que sinto dele, seja a mesma raiva que sinto quando amo e não sou compreendido. Ser compreendido no amor, talvez seja mais importante que amar, pois ser amado quando amar implica falta de soberania da felicidade é aterrorizante.

Eu queria ouvir Smashing Pumpkins enquanto escrevia esse texto, mas o cansaço da mesmice, tal como, a mesmice do amor é irrefutável nesse momento. Eu sei o quanto esse texto pode parecer bizarro, complexo e um desabafo subliminar da minha fossa. Talvez você deva estar pensando que esse blog deveria chamar fossa, ao invés de Poolts, mas como não consigo escrever quando feliz, então vai isso mesmo.

Lembro de uma frase de Rob Gordon em Alta Fidelidade que diz assim: “Eu não sei se sou triste porque escuto música, ou escuto música porque sou triste”, e é basicamente assim que me sinto. Nesse momento estou dividindo minha dor com a banda norte americana Silversun Pickups, foi um refúgio do Smashing já que é tão parecido. Outras horas eu poderia estar destruindo essa banda, mas estou a seus pés. COMO ALGUÉM PODE FAZER ALGO ASSIM? Eu sei, eu sei, é parecido, mas tenho que admitir que é bom demais.

As pessoas costumam jogar na sua cara o quanto você é idiota e isso é freqüente quando você age como idiota. Não que agir como idiota seja um hábito, mas quem não faz isso quando gosta? Pois é, mas quando se percebe que está sendo esse mentecapto eis que chega a auto-destruição, aí toma vodca, cigarro e melancolia e ouve Silversun Pickups, meus Deus, isso é Smashing Pumpkins, repara nos overdubs das guitarras raivosas…

… Raiva, essa palavra é pujante, mas de quem sentir raiva? De quem não gosta de você? Nessa circunstância a raiva de você mesmo é a melhor saída. “cool like the ocean, burned like a summer home, fooled by the notion, that the sums don’t add up at all”, (Frio como o oceano, queimada como uma casa de verão, enganados pelas idéias, que as somas não adicionam nada). Essa canção é Three Seed e explica muito bem a tempestade que me encontro. Enquanto tento me desvencilhar da mesmice que é sofrer por amor, a mesmice fenomenal dessa banda me deixa pior do que já estou. Nesse caso, então, eu escuto música porque estou triste.

Enquanto a vodca e cigarro pairam nesse apartamento, a dor constante se mistura as melodias pegajosas de Melatonin, e olha que coincidência, “My brain doesn’t produce any, I’m soaring without anything” (Meu cérebro não está produzindo nada, estou levitando sem nada), é exatamente como me sinto e não me deixa sair desse estado-maior-de-grades melancólico, é uma canção que fala. E quando deveria ter raiva, eu entro em fascínio com tristeza.

Enquanto o lixo tóxico invade minhas entranhas eu continuo nessa conduta maléfica de me achar idiota, não porque eu seja um idiota, mas porque me fizeram achar. Existe uma saída racional para isso, mas essa saída racional vem depois da auto-afirmação.


Que culpa Courteeners tem?

Abril 14, 2008

Esse final de semana foi um momento de purificação psicológica, tinha decidido assistir os episódios 23, 24 e 25 da série Twin Peaks, comer uma lata de brigadeiro e ouvir o álbum do Courteeners, St. Jude. Não faria mais nada além desse retiro espiritual, se é que posso chamar assim. O policial Cooper, protagonista da série, em um dos episódios disse que devemos nos dar um presente por dia e decidi seguir esse conselho a risca.

Já tinha traçado um plano estratégico para minha hibernação, mas o destino confabula contra e logo nos três primeiro minutos sozinho, antes da série, antes do Courteeners e durante o brigadeiro, uma ligação inesperada deixou meu estimado final de semana mais melancólico. Isso atrapalhou de certa forma meus planos, a série de Mark Frost e David Lynch ficou para outro dia.

Quem ligou não vem ao caso, mas foi o suficiente para me afundar na nostalgia e na melancolia vexante. Mas isso não me impediria de ouvir a nova aposta vindo de Manchester, os Courteeners. Segundo as más línguas a banda inglesa são os novos messias de Manchester (bobagens da NME), a terrinha do Oasis e Smiths. Coloquei o volume no dez (alguém ainda fala assim?) e comecei uma arrumação na estante de casa. Nessa hora eu já tinha consumido quatro colheres de brigadeiro, já estava prevendo o revertério nas vísceras.

No meio daquela bagunça absurda, com o pensamento na “Franqueza Trash” das novas concepções amorosas da dona da ligação, eu me deparo com um antigo diário, pois é, um diário, sempre gostei de escrever, matusalém só não leu esse porque era secreto. Eis que a nostalgia aparece oscilando minha pulsação e despeita uma voadora giratória invertida de pé trocado na minha nuca. Um baque. Pronto, o ambiente está propicio ao suicídio (Credo Eder, que drama! By mãe). Só fui salvo por causa da mudança de faixa, “aftershow” para “cavorting”, não que seja ruim, pelo contrário, é fodástico o som dos caras, mas meu momento não é dos melhores.

Nas primeiras páginas daquele antigo diário eu vejo a frase da Janaina Gomes Guedes que diz: “Se quiser guardar um tempo infinitamente na memória, é preciso vivê-lo ao som de uma música”. E nesse momento estou escutando “Please Don’t”, uma canção de bateria marcada por tambores que dita as batidas do meu coração (Que cafona! by myself) enquanto viro as páginas do diário e relembro meus antigos amores.

Essa fossa que a maldita ligação me causou foi tamanha que não consigo deixar de lembrar do Libertines enquanto rola Courteeners. A influência de Clash e Smiths é clara para mim, mas lembrar do encrenqueiro Pete Doherty leva-me a pensar em absurdos. Até aí já foram 12 colheres de brigadeiro. Maldito vício. Enquanto relembro histórias de Marinas e Marianas no meu antigo diário eu chego a conclusão que vai demorar para alguma nova banda ser Messias de Manchester, mas Courteeners merece uma atenção pós momento melancolia. Hey, de quem é essa? “Crime inafiançável. Mataram um homem por ser amável”.


Folk, melancolia e brigadeiro.

Março 31, 2008

O desejo do nada se limita a levantar o controle remoto e desligar a TV. O móvel mais próximo do sofá, em qual estou sufocado no meu desânimo, é a escrivaninha. O computador está ligado e a página do blog do gonzo com o cartaz do Folk This Town no Santa Augusta bar está aberta. Na base inferior da área de trabalho tem uma janela minimizada de uma amiga do MSN. Aquele pisca-pisca começa a me irritar. O Windows Media Player também está aberto e a música “The Biggest Lie” do Elliott Smith soa como uma trilha sonora daquela minha melancolia.

Logo me vem a questão. Será que devo fazer um café? Será que devo ir dormir? Mas são apenas 20:30h. Eu poderia ir ao Folk This Town. A graciosa Lulina e a figura Daniel Beleza estariam compondo o repertório musical do bar. Antes que Elliott me deprima mais, eu finalizo o Windows, desligo o PC e vou tomar um banho. A música da Mallú Magalhães não sai da minha cabeça e meus ânimos começam a se agitar com a água quente e o refrão de Tchubaruba. Propício não?

Apronto-me com a intenção de ir ao Santa Augusta bar. Paro na lanchonete do Estadão peço um café forte pra viagem e vou para a festa. Ao chegar, a voz suave de Lulina intercala a entrada e a saída do tom das músicas. Nem me importo, as melodias são boas e uma seqüência de tambores nas canções emite um ar desesperado por uma saída dessa amargura que, misteriosamente, decide me consumir. Minha companheira naquela festa é uma garrafa de água.

Enquanto tento lavar a alma bebendo água, meus olhos se enchem de lágrimas quando em ordem decrescente Lulina e sua banda fazem a contagem regressiva para o ano novo, mas calma aí, é apenas uma música. Ainda não enlouqueci. Sempre me emociono nas passagens de ano. Se isso é o fator primordial, não sei. Mas a garota de jeito dócil termina o show quando menos imagino. É uma pena, deixou um espaço vazio. Se quero um próximo? Quem sabe quando estiver em depressão necessitando de uns tarjas preta.

No intervalo entre as duas bandas, desfrutei de uma masturbação nostálgica ao recordar-me de quando meu descontrole emocional variava da noite para o dia. No entanto eu não tinha mais aquela idade e amor na adolescência serve apenas para perceber o quanto você é idiota, aperfeiçoar-se na técnica do sexo e aprender com os erros. Radical, não?

Daniel Beleza é realmente uma figura, ele inicia o show e já eleva seu ânimo. Seu repertório varia entre em Beck, Velvet Underground, Oasis, Roberto Carlos e etc. Seus goles no bico da garrafa de Itaipava demonstram o teor do show. Com um cigarro atrás do outro e uma voz que some aos poucos trás a galera para seu barato e dita o ritmo da festa.

O meu domingo termina com uma colherada de brigadeiro, não que chocolate seja a solução para os meus problemas, mas que meus problemas ditam a forma com que interpreto tudo a minha volta. Quando a sensibilidade está a flor da pele, reparo nos pequenos detalhes que aguçam e cada gesto, cada olhar. Cada pensamento tomam proporções maiores. O Folk This Town desse domingo foi o equilíbrio nessa minha complexidade, mas o brigadeiro não. A solução é dormir e torcer para que amanhã seja um dia mais animado. You can tchubada.


Luta Livre

Março 31, 2008

Você já cansou desses combates previsíveis entre Batman e Coringa, Superman e Lex Luttor, etc? O que você gostaria de assistir? Bom, eu adoraria ver alguns duelos inusitados. Baseado nessa peculiaridade decidi acrescentar alguns personagens no liquidificador, misturar tudo e vê no que dá. Não é que ficou interessante!

O primeiro combate ficou por conta de Esqueleto, vilão do Heman, e Vingador de Caverna do Dragão. Nessa peleja não existe favorito, apenas o senhor “forma decadente” leva alguma vantagem, pois está acostumado a apanhar do cara mais forte do mundo. Já o Vingador ataca crianças com poderes inofensivos. Mesmo assim sempre se dá mal.

Na batalha entre os Smurfs e Ursinhos Carinhosos não existe vitorioso, eles acabam fazendo as pazes e fica por isso mesmo, diferente de Carrossel e Chiquititas, afinal, duvido que a turma da Mili tenha uma vilã como a Maria Joaquina.

Já Betty Boop provavelmente dê um coro na Penélope Charmosa, as patricinhas normalmente não sabem brigar. No duelo entre gato Félix e Garfield é bem capaz que o último vença apenas na lábia. No entanto, o combate mais violento fica entre Chuck Norris e Charles Bronson, como Norris é o cara mais forte do universo, ele aniquilará Bronson apenas com o dedo mindinho.

Porém, a luta mais esperada do momento é entre o imbatível Capitão Nascimento e Dadinho, ops, Dadinho não, Zé Pequeno. Essa vai dar o que falar e enquanto esses personagens fictícios resolvem essas tretas, vou colocando o tico e teco para funcionar esperando que não encontrem pink e cérebro.


Tipo assim: De boa!

Março 31, 2008

Se me alembro bem, nóis era um conjunto de duas pessoa. Nóis se amávamos e a cada de vida, uma coisa nova acontecia. A graça dela era Marieta. Sabe, tipo um mundo paralelo que nem os culto fala. Marieta me fazia rir, apesar de ser uma estranheza de pessoa, tudo na sua volta se mudava. Me arrecordo da veiz que fomo passiá na Sampaulo, era tudo muito grande, né? Mas a gente gostava dum parque onde tem um lago. Acho que era Iparibuera. Andamos naquelas bicicreta estranha, e comemos sanduíche dos Mac. Foi muito do bom.

Nas noite, nóis queria tomá umas pinga, e uns casar de cabelo estranho citô uma rua cum graça de muié. Igual da cumadre Augusta, muié do Requião. Nóis fomo. Diz que lá as pessoa ia pra bebe. Nóis, eu e Marieta paramo num bar onde todo mundo era do tipo moderno. Cabelo estranho, carça curta e os óculo grosso, iguar da minha época. Nóis pediu a marvada, eu e Marieta ia comemorá a vinda pra cidade, afinar, ela sempre quis avista os prédio grande. Só que o serventi tinha só da 51, nóis queria da terrinha. No fim tomamo quarqué coisa memo.

Marieta se apressionava com as pessoa. Todo mundo muito dos diferente. Essas coisa era novo pra nóis. Mas a Marieta cismo que queria ser daquele jeito. E num que ela foi pedi prum rapaz ajudá. “tudo bem sinhô, nóis num somo daqui, mas nóis queria vortá diferente pra chacra, você pode deixa nóis assim que nem o sinhô?”. O rapazinho estranho muito do educado disse que ia ajudá.

Na manhã no outro dia levou nóis pruma loja de disco de vitrola, e nos ajudo a compra umas coisa pra gente escutá. Um tar de vervet dergraund, Deividi Boa, e umas coisa nova que ele disse, Istroques, Reidiorred. Ele disse que a úrtima tinha virado as gravadora de ponta cabeça, num intendi muito bem, mas se ele é conhecido, num questionei.

Depois levou nóis numa tar de galeria do rock, e lá tinha muita genti estranha junta memô, todu mundo era dos metar, a Marieta gostá né, i eu gosto di agradá. Gastamo nossas economia das prantação com umas camiseta das banda dos disco. E fomo nos cabeleleiro. Os cara mal corto meus cabelo, ele passo uns trécos, deu umas parada e bagunço tudo, já na marieta ele corto a frente nas artura dos zóio e a parte dos lado e de trás nas artura dos ombro.

Nóis ficou diferente também, e até que gostamo desse estilo. A Marieta disse que nóis tava féchiom. Quando vortamo pra chacra, nosso cumpadre e cumadres estranho, mas nóis ensino eles. Fizemos varias coisa legar, tipo ouvio as moda, bebemos e até fumamo um cigarrinho de paia que o rapáiz deu pra nóis. Num sei bem como foi essa experiência na cidade, mas nóis vortamos gostando mais um do outro. A Marieta gosto das diferença. Acho porque se o mesmo sempre, num é bom. Né? Vô coloca a moda do Deividi Boa na vitrola e ficá, tipo assim: di boa.


Bob Dylan: 2º dia em Sampa.

Março 7, 2008

TOCA MÚSICA DECENTE! Um senhor de, aparentemente 60 anos, gritava essa frase absurda. Sei que Dylan não escutava, mas pudera. O som estava “numa finura” espetacular, Bob com seu chapéu preto e terninho cinza se arriscava numa tímida dancinha com os pés. Mas o tio não estava contente, continuava vaiando e dando uns goles em uma garrafinha de uísque.

Em minha frente tinha um power trio da alta sociedade paulistana. Eram três jovens. Duas garotas e um garoto. Percebia-se que eles entendiam de Dylan da mesma maneira que idolatravam o livro Capital do Karl Marx. O garoto abriu uma garrafa de vinho. Sabe-se lá quanto custou, afinal, uma mera latinha de cerveja era seis reais, duas, treze e cinqüenta. Eu sei que tem algo errado nessa conta, mas não entendi muito bem o que o garçom disse, só queria refrescar essa quentura que a ansiedade por um show do lendário Bob Dylan proporciona.

Ao final, uma garota rápida no gatilho, correu no palco e deu um belo de um apertão em Dylan, logo em seguida foi retirada pelos seguranças e na euforia incontida, o tchauzinho foi a melhor expressão para demonstrar sua alegria em ter tocado no mito da música mundial.

O show foi primoroso, no entanto, o que me deixou aborrecido, é que a grande maioria não sabia o significado daquele concerto. Muitos entoaram em uníssono os refrões das canções, Like A Rolling Stone e Blowin’ In The Wind, apenas isso. O show terminou sob ovação de um público ignorante. O preço do ingresso foi fator predominante para afastar o público do Dylan e aproximar a babação de ovo dos repórteres da revista Caras. Será que Bob sabia disso?

No mais, o mundo paralelo em que me envolvi foi importante para definir meu grau de delírio nessa apresentação que, provavelmente, pode ter sido a única da minha vida, embora eu saiba que Dylan é eterno, imortal em nossas vidas, mito não morre, né não? Bom, vou procurar a resposta no vento.

Segue o repertório do dia 06 de março de 2008:

1. Rainy Day Women 12th & 35
2. Lay Lady Lay
3. I´ll be your baby tonight
4. Lovesick
5. The Levee’s Gonna Break
6. Spirit On The Water
7. A Hard Rain’s Gonna Fall
8. Rollin’ and Tumblin’!
9. Workingman’s Blues #2
10. Highway 61 Revisited
11. When The Deal Goes Down
12. Tangled Up In Blue
13. Ain’t Talkin’
14. Summer Days
15. Like A Rolling Stone
16. Thunder On The Mountain
17. Blowin’ In The Wind