Silversun Pickups e minha idiotice

Abril 21, 2008

“Quem ama, pensa que vai ser felicíssimo; e estranha qualquer espécie de sofrimento. Ora, a vida ensina, justamente, que duas criaturas que se amam, sofrem, fatalmente. Não por culpa de um ou de outro; mas em conseqüência do próprio sentimento. É exato que os amores têm seus êxtases deslumbrantes, momentos perfeitos, musicais etc. etc. mas eu disse “momentos” e não 24 horas de cada dia.”

O trecho de “Amar uma vez e sempre” de Nelson Rodrigues é o inicio desse post, talvez porque a raiva que sinto dele, seja a mesma raiva que sinto quando amo e não sou compreendido. Ser compreendido no amor, talvez seja mais importante que amar, pois ser amado quando amar implica falta de soberania da felicidade é aterrorizante.

Eu queria ouvir Smashing Pumpkins enquanto escrevia esse texto, mas o cansaço da mesmice, tal como, a mesmice do amor é irrefutável nesse momento. Eu sei o quanto esse texto pode parecer bizarro, complexo e um desabafo subliminar da minha fossa. Talvez você deva estar pensando que esse blog deveria chamar fossa, ao invés de Poolts, mas como não consigo escrever quando feliz, então vai isso mesmo.

Lembro de uma frase de Rob Gordon em Alta Fidelidade que diz assim: “Eu não sei se sou triste porque escuto música, ou escuto música porque sou triste”, e é basicamente assim que me sinto. Nesse momento estou dividindo minha dor com a banda norte americana Silversun Pickups, foi um refúgio do Smashing já que é tão parecido. Outras horas eu poderia estar destruindo essa banda, mas estou a seus pés. COMO ALGUÉM PODE FAZER ALGO ASSIM? Eu sei, eu sei, é parecido, mas tenho que admitir que é bom demais.

As pessoas costumam jogar na sua cara o quanto você é idiota e isso é freqüente quando você age como idiota. Não que agir como idiota seja um hábito, mas quem não faz isso quando gosta? Pois é, mas quando se percebe que está sendo esse mentecapto eis que chega a auto-destruição, aí toma vodca, cigarro e melancolia e ouve Silversun Pickups, meus Deus, isso é Smashing Pumpkins, repara nos overdubs das guitarras raivosas…

… Raiva, essa palavra é pujante, mas de quem sentir raiva? De quem não gosta de você? Nessa circunstância a raiva de você mesmo é a melhor saída. “cool like the ocean, burned like a summer home, fooled by the notion, that the sums don’t add up at all”, (Frio como o oceano, queimada como uma casa de verão, enganados pelas idéias, que as somas não adicionam nada). Essa canção é Three Seed e explica muito bem a tempestade que me encontro. Enquanto tento me desvencilhar da mesmice que é sofrer por amor, a mesmice fenomenal dessa banda me deixa pior do que já estou. Nesse caso, então, eu escuto música porque estou triste.

Enquanto a vodca e cigarro pairam nesse apartamento, a dor constante se mistura as melodias pegajosas de Melatonin, e olha que coincidência, “My brain doesn’t produce any, I’m soaring without anything” (Meu cérebro não está produzindo nada, estou levitando sem nada), é exatamente como me sinto e não me deixa sair desse estado-maior-de-grades melancólico, é uma canção que fala. E quando deveria ter raiva, eu entro em fascínio com tristeza.

Enquanto o lixo tóxico invade minhas entranhas eu continuo nessa conduta maléfica de me achar idiota, não porque eu seja um idiota, mas porque me fizeram achar. Existe uma saída racional para isso, mas essa saída racional vem depois da auto-afirmação.


Ela canta, porque cantar faz bem.

Abril 4, 2008

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Mallu Magalhães é uma garotinha de 15 anos, toca diversos instrumentos, compõe belas melodias, é fã de Bob Dylan, Johnny Cash e Belle & Sebastian, mas todo mundo já sabe disso. Sabem também do jeitinho meigo dela. Sabem como ela se comporta em frente as câmeras. Sabem principalmente que é uma garota de futuro. Enquanto eu, na minha crédula esperança por uma música melhor, acredito nas boas intenções dos músicos e vejo uma luz no fim do túnel com a proporção do avanço tecnológico, alguns críticos implicam a garotinha há o mais novo produto marqueteiro da maligna indústria cultural (musical).

Quem possui o mínimo de conhecimento sabe do que a indústria cultural é capaz, não é necessário ser um especialista para sacar seus planos diabólicos. No entanto há algumas críticas em relação a Mallu Magalhães baseada em uma teoria conspiratória sem o mínimo de fundamento. Não contente com a falta de alicerce, ainda sustentam sua base textual em uma previsão inócua da carreira da garota. Bom, Não sou Nostradamus, muito menos Mãe Dináh, então eu deixo o futuro da garota nas mãos dela.

É claro que a musicalidade da Mallu é limitada, ou esperávamos um Mozart logo de cara? Ela tem um dom em suas mãos, cabe moldá-lo da maneira correta. Isso sim é fato. Porém alguns jornalistas aproveitam o “boom” de uma alma promissora para galgar acessos em suas páginas cibernéticas pessoais e se promover em uma cena que, ser do contrário é “cult”. Vamos com calma! Pode ser que essa garota seja mais um plano diabólico da indústria musical, mas pode ser que não. Ninguém pensa na hipótese de sorte ou uma obra do destino? Porra, a menina trabalhou para colocar as músicas no Myspace. Talvez eu esteja sendo inocente, talvez não. Não cabe a nós destruir a carreira dela. Cabe a nós fazermos nossas críticas ao seu trabalho artístico, com um ponto de vista jornalístico. Apenas.

Quem teve a oportunidade de conhecer a Mallu enquanto independente sabe que ela se manteve em sua essência. Não sei como será agora que os produtores, assessores, e profissionais assumiram. Talvez tomem um caminho errado, mas não porque a garotinha é um produto, e sim porque se deixou fazer um produto. Por enquanto, para mim, modesto jornalista e crente na existência de artistas que mantém sua áurea apesar do contrato, Mallu Magalhães tomará o rumo certo. Não estou prevendo como outros, mas tenho esperança e acredito no valor dessa garota, independente da Indústria para qual ela trabalha. Não podemos esquecer que nós, jornalistas fazemos parte de uma indústria tão manipuladora quanto a dela.

Por fim, espero que essa garota de educação exemplar, de um gosto singular, uma espontaneidade conquistadora, represente a competência de nossos artistas onde estiver. O mais importante é que não traia seus ideais e continue com esse aprendizado constante. De resto, nós do jornalismo, continuaremos entre tapas e beijos, pois isso é que dá prazer na profissão. E já dizia Tom Jobim: “Eu vou morrer um dia, a música vai ficar”.


Folk, melancolia e brigadeiro.

Março 31, 2008

O desejo do nada se limita a levantar o controle remoto e desligar a TV. O móvel mais próximo do sofá, em qual estou sufocado no meu desânimo, é a escrivaninha. O computador está ligado e a página do blog do gonzo com o cartaz do Folk This Town no Santa Augusta bar está aberta. Na base inferior da área de trabalho tem uma janela minimizada de uma amiga do MSN. Aquele pisca-pisca começa a me irritar. O Windows Media Player também está aberto e a música “The Biggest Lie” do Elliott Smith soa como uma trilha sonora daquela minha melancolia.

Logo me vem a questão. Será que devo fazer um café? Será que devo ir dormir? Mas são apenas 20:30h. Eu poderia ir ao Folk This Town. A graciosa Lulina e a figura Daniel Beleza estariam compondo o repertório musical do bar. Antes que Elliott me deprima mais, eu finalizo o Windows, desligo o PC e vou tomar um banho. A música da Mallú Magalhães não sai da minha cabeça e meus ânimos começam a se agitar com a água quente e o refrão de Tchubaruba. Propício não?

Apronto-me com a intenção de ir ao Santa Augusta bar. Paro na lanchonete do Estadão peço um café forte pra viagem e vou para a festa. Ao chegar, a voz suave de Lulina intercala a entrada e a saída do tom das músicas. Nem me importo, as melodias são boas e uma seqüência de tambores nas canções emite um ar desesperado por uma saída dessa amargura que, misteriosamente, decide me consumir. Minha companheira naquela festa é uma garrafa de água.

Enquanto tento lavar a alma bebendo água, meus olhos se enchem de lágrimas quando em ordem decrescente Lulina e sua banda fazem a contagem regressiva para o ano novo, mas calma aí, é apenas uma música. Ainda não enlouqueci. Sempre me emociono nas passagens de ano. Se isso é o fator primordial, não sei. Mas a garota de jeito dócil termina o show quando menos imagino. É uma pena, deixou um espaço vazio. Se quero um próximo? Quem sabe quando estiver em depressão necessitando de uns tarjas preta.

No intervalo entre as duas bandas, desfrutei de uma masturbação nostálgica ao recordar-me de quando meu descontrole emocional variava da noite para o dia. No entanto eu não tinha mais aquela idade e amor na adolescência serve apenas para perceber o quanto você é idiota, aperfeiçoar-se na técnica do sexo e aprender com os erros. Radical, não?

Daniel Beleza é realmente uma figura, ele inicia o show e já eleva seu ânimo. Seu repertório varia entre em Beck, Velvet Underground, Oasis, Roberto Carlos e etc. Seus goles no bico da garrafa de Itaipava demonstram o teor do show. Com um cigarro atrás do outro e uma voz que some aos poucos trás a galera para seu barato e dita o ritmo da festa.

O meu domingo termina com uma colherada de brigadeiro, não que chocolate seja a solução para os meus problemas, mas que meus problemas ditam a forma com que interpreto tudo a minha volta. Quando a sensibilidade está a flor da pele, reparo nos pequenos detalhes que aguçam e cada gesto, cada olhar. Cada pensamento tomam proporções maiores. O Folk This Town desse domingo foi o equilíbrio nessa minha complexidade, mas o brigadeiro não. A solução é dormir e torcer para que amanhã seja um dia mais animado. You can tchubada.


Bob Dylan: 2º dia em Sampa.

Março 7, 2008

TOCA MÚSICA DECENTE! Um senhor de, aparentemente 60 anos, gritava essa frase absurda. Sei que Dylan não escutava, mas pudera. O som estava “numa finura” espetacular, Bob com seu chapéu preto e terninho cinza se arriscava numa tímida dancinha com os pés. Mas o tio não estava contente, continuava vaiando e dando uns goles em uma garrafinha de uísque.

Em minha frente tinha um power trio da alta sociedade paulistana. Eram três jovens. Duas garotas e um garoto. Percebia-se que eles entendiam de Dylan da mesma maneira que idolatravam o livro Capital do Karl Marx. O garoto abriu uma garrafa de vinho. Sabe-se lá quanto custou, afinal, uma mera latinha de cerveja era seis reais, duas, treze e cinqüenta. Eu sei que tem algo errado nessa conta, mas não entendi muito bem o que o garçom disse, só queria refrescar essa quentura que a ansiedade por um show do lendário Bob Dylan proporciona.

Ao final, uma garota rápida no gatilho, correu no palco e deu um belo de um apertão em Dylan, logo em seguida foi retirada pelos seguranças e na euforia incontida, o tchauzinho foi a melhor expressão para demonstrar sua alegria em ter tocado no mito da música mundial.

O show foi primoroso, no entanto, o que me deixou aborrecido, é que a grande maioria não sabia o significado daquele concerto. Muitos entoaram em uníssono os refrões das canções, Like A Rolling Stone e Blowin’ In The Wind, apenas isso. O show terminou sob ovação de um público ignorante. O preço do ingresso foi fator predominante para afastar o público do Dylan e aproximar a babação de ovo dos repórteres da revista Caras. Será que Bob sabia disso?

No mais, o mundo paralelo em que me envolvi foi importante para definir meu grau de delírio nessa apresentação que, provavelmente, pode ter sido a única da minha vida, embora eu saiba que Dylan é eterno, imortal em nossas vidas, mito não morre, né não? Bom, vou procurar a resposta no vento.

Segue o repertório do dia 06 de março de 2008:

1. Rainy Day Women 12th & 35
2. Lay Lady Lay
3. I´ll be your baby tonight
4. Lovesick
5. The Levee’s Gonna Break
6. Spirit On The Water
7. A Hard Rain’s Gonna Fall
8. Rollin’ and Tumblin’!
9. Workingman’s Blues #2
10. Highway 61 Revisited
11. When The Deal Goes Down
12. Tangled Up In Blue
13. Ain’t Talkin’
14. Summer Days
15. Like A Rolling Stone
16. Thunder On The Mountain
17. Blowin’ In The Wind